Mesmo desativado, aterro de lixo industrial em Cubatão (SP) oferece riscos à saúde humana
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 Foto: Agência Notisa
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Moradores apresentam no sangue elevada concentração de resíduos perigosos e pesquisadores alertam sobre a necessidade urgente de medidas saneadoras.
O aterro a céu aberto de Pilões, onde era depositado o lixo de cinco indústrias do município de Cubatão (SP), recebia por ano cerca de mil toneladas de uma variedade de resíduos perigosos, responsáveis por enfermidades graves que, muitas vezes, levam até à morte. Embora esse aterro tenha sido coberto com material inerte e desativado há quase 20 anos, os catadores de lixo e suas famílias continuam residindo no local. E muitas dessas pessoas têm no sangue elevada concentração de praguicidas organoclorados, resíduos perigosos que podem enfraquecer o sistema imunológico, causar câncer e gerar distúrbios no sistema nervoso central, entre outros problemas cujas seqüelas são irreversíveis.
Essa é a conclusão de um estudo realizado por Eladio Santos Filho, do Hospital Guilherme Álvaro, da Secretaria de Estado da Saúde de Santos (SP), em conjunto com pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo e do Instituto Adolfo Lutz. Os resultados da pesquisa foram publicados na Revista de Saúde Pública, na edição de agosto de 2003.
Além de investigarem os moradores de Pilões, Eladio e sua equipe examinaram um grupo-controle, formado por pessoas que, embora também vivessem em Cubatão, não estavam diretamente expostas aos resíduos perigosos do aterro. “O número de pessoas em Pilões que apresentou algum resíduo de praguicida organoclorado no sangue foi de 212 pessoas, ou seja, 95,5% de todos que realizaram esse exame”, dizem os pesquisadores no artigo. Já no grupo-controle, houve 141 exames positivos para praguicidas organoclorados, que representam pouco menos de 60% do total de exames.
“Os moradores de Pilões não só apresentaram maior número de pessoas com resíduos de praguicidas organoclorados, como também concentrações mais elevadas do que o grupo-controle”, comentam Eladio e sua equipe no artigo. Em Pilões, até bebês com menos de um ano de idade já estavam contaminados pelos resíduos perigosos.
Os resultados do estudo, segundo os pesquisadores, demonstram que a população de Pilões está sob grande de risco de exposição a todos os praguicidas organoclorados existentes na área do antigo aterro. “Do ponto de vista da saúde pública, tal condição já é suficiente para justificar medidas saneadoras, como a limpeza da área com remoção dos resíduos perigosos ou, na sua inviabilidade, a remoção das pessoas do local de risco”, afirmam Eladio e sua equipe no artigo. “Não há que se aguardar ao aparecimento de efeitos tóxicos para tomar as medidas necessárias à preservação da saúde da população”, concluem.
Escrito por Alexsandro,Carlos,Diogo,Valner às 20h06
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